sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Heartrock


Voraz
Arrancado
Do cofre
Inexpugnável

Pela tua
Língua de
navalhas
Mutilado


Mascado
Cuspido
Pelos teus
Dentes
Ferinos

Afogado
No lago
De lagrimas
Vertidas

Resgatado
Em redes
Comiseradas
E profundas

Queimado
No fogo
Do teu
Olhar frio

Petrificado
Crucificado
E amarrado
De volta
A este lugar
Farpado
e Vazio.


---

Voracious
Pulled
From the vault
Impregnable

By your
Tongue of
razors
Truncated


Chewed
Spat
For thy
Ferine
Teeth

Drowned
In the Lake
Of tears
Shed

Redeemed
In the nets
Commiseratives
And deep

Burnt
On Fire
Of your
cold look

Petrified
Crucified
And tied
Back
In this place
Barbed
and empty.

A mulher imaginada



A mulher imaginada não tem face
Mas sabemos que ela é linda
Não há destino que ela não trace
Por uma trilha que não finda

A mulher imaginada não tem forma
Mas sabemos que são ideais
Dela tudo veio, a ela tudo retorna
Faz de fantasias, coisas reais

A mulher imaginada não é imperfeita
Tão ilimitada quanto a imaginação
Projetada, construída e por fim eleita

A mulher imaginada mora no coração
Mas a voz que não cala insiste:
Esta mulher imaginada não existe.

Sonho em celulóide




Foi um sonho incomum...

Em tons de cinza daltônicos sua forma destacava-se pois era a única colorida.

Lembro-me do castanho profundo do seu olhar tímido, pronto a tornar-se selvagem se não fosse o muro que o prendia... Medo.


Foi assim caminhando ao seu lado, passos lentos e assíncronos, ouvíamos um burburinho constante

Falando, rindo, gritando ou chorando,tudo misturava-se ao som das ondas próximas.

Absorto, percebi finalmente o que sempre nos separou... Medo.


Apesar de termos a mesma direção percorríamos o caminho sozinhos. Como se algo nos dissesse que seria muito perigoso deixar outra pessoa chegar tão perto.

Ao chegarmos a beira mar o cheiro salgado e brisa fresca misturavam-se ao cheiro do seu cabelo perfumado

Um estranho sentimento de deja vu me tomou subitamente, como se sempre tivéssemos estado ali.


Pés na areia molhada, a orla se estendia alem da vista, no horizonte o sol lentamente nascia...

Agora em tons de sépia.

Não saberia dizer se fui tomado pelo impulso, ou se apenas fracassei em controlar meus atos
ou ainda se fui ingênuo, pensando ser capaz de controlar algo que rivalizava com as maiores forças da natureza.

Te beijei... por um momento senti seu sabor, por um momento esqueci o medo... E tudo resumiu-se a isto, um momento...

Até que fui afastado com força, o tapa na face me deixou atordoado, envergonhado... Tento explicar, mas estou paralisado

Chorando você me beija de novo, morde meus lábios até que sangrem e me diz que tem medo...

Que não é hora, que não é isso, que não ...

Não!

Pego sua mão, você a solta com força. Tento colher suas lágrimas, não consigo.

Te abraço forte e digo :

-Adeus...

Seu choro aumenta., você me empurra, meu sangue ainda nos seus lábios perdem a cor.

Impotente, magoado, culpado, coração partido

Começo a caminhar para um exílio voluntário ... Te deixo ali parada me olhando

Retorno por onde viemos, dando minhas costas a você, lutando para não olhar para trás, inutilmente tentando achar algo que não sei se sequer tivemos

Minha expressão de incredulidade, contrastava com a mudança em sua face quando a fúria finalmente se mostrou.

Um close nos meus lábios mostrava-me apenas balbuciando palavras que não faziam sentido...

Na tela o filme congela e rapidamente marcas do calor dissolvem em bolhas deixando
a sala no escuro apenas o som do projetor rodando e a fita batendo...

Sentada ao meu lado, você segura minha mão:

-O filme já acabou ? - Você pergunta confusa.

-Este filme não tem fim, nem créditos finais.- Respondo ecoando no escuro.

As luzes acendem-se, damos conta da sala enorme e vazia que estávamos.

-Que pena eu queria tanto saber o final... - Você fala enquanto desce as escadas
me deixando sentado, ainda tentando entender.

Antes de sair você olha para trás, esperando por alguma coisa

-O final nunca foi escrito, assim como "eu te amo" nunca foi dito, não deve ser um romance.- Conclui, com uma voz tremula.

Olho para baixo buscando sua expressão, na expectativa de ser contrariado.

-Não é. - Você responde com firmeza.

-Então o que é? - Pergunto ansioso enquanto me levanto.

-Não sei...

Fico parado ali sem respostas no meio da sala, a tela branca encoberta pelas cortinas, o som do projetor silencia

Logo depois que você sai, continuo ouvindo seus passos no corredor, as luzes se apagam novamente.

Sozinho me sento no escuro sussurrando em tom de oração

-Ninguém disse "Eu te amo"

Repito a mesma frase agora em voz alta, ouvindo apenas o eco me responder.

Eu te amo

Te amo

Amo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

In Power We Entrust The Love Advocated





In Power We Entrust The Love Advocated - Dead Can Dance


Sail on silver wings
through this storm
what fortune love may bring
back to my arms again
the love of a former golden age.

I am disabled by fears concerning which course to take.
For, now that wheels are turning,
I find my faith deserting me...

This night is filled with cries of
dispossesed children in search of Paradise.
A sign of unresolve that,
envisioned, drives the pinwheel on-and-on.

I am disabled by fears concerning which course to take.
When memory bears witness to
the innocence, consumed in dying rage!

The way lies through our love;
there can be no other means to the end,
or keys to my heart...
you will never find.
You will never find!

---

Confiamos o poder ao amor preconizado.

Singre em asas prateadas
Através desta tempestade
A sina que o amor pode trazer
De volta aos meus braços novamente
O amor de uma era dourada

Desabilitado pelo medo, considerando o curso a tomar
Agora que a Roda da fortuna está girando
Descubro minha fé me abandonando

Esta noite preenchida de choros de
Crianças despossuídas em busca do paraíso
Um sinal de duvida que
Vislumbrada, impulsiona o cata-vento sem parar

Desabilitado pelo medo, considerando o curso a tomar
Quando a memória presta testemunho à
Inocência, consumida em uma fúria moribunda

O caminho jaz em nosso amor
Os fins não podem justificar os meios
Ou as chaves do meu coração
Você nunca encontrará.
Você nunca encontrará!

Give to Caesar what is Caesar's


Só... Sempre fomos assim
e apesar disso, sempre nos
pertencemos.

Quando tua cor e forma
a mim não eram familiares

Quando tua essência
se fundia com outra
que não a minha

Ainda assim, sempre nos
pertencemos

Por isso te digo coisas
que sempre soubemos.
Coisas que ao longo do tempo
esquecemos.

Durante toda tua vida,
dispersa que estavas,
o som quase inaudível
Da minha voz
Fazia profecias em teus
pensamentos

Desde o inicio, sempre nos
pertencemos

Conjuguei-te no singular
Quando teu corpo não era meu
Quando teu suor me era alheio
Quando teu sabor não bailava
em meus lábios

Mesmo assim, sempre nos
pertencemos.

Pois o que destes a outros
a mim não era devido,
e o que guardastes para mim
a mais ninguém era cabido.

Por isso te sinto com tanto furor
agitar meu mundo.
Te tomo com tanto amor
com tanto carinho
que ao fogo faz inveja o calor.

Te tomo de assalto e te levo
Teus olhos me fitando
Surpresos
com a incredulidade
de alguém que não entendia
como este antigo amor
ainda fluía.

Antes do Inicio e depois do fim
Sempre...
Eternamente...
nos pertencemos.

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Alone ... We have always been like that
and yet we always
belong each other

When your color and shape
were unfamiliar to me

When your essence
merged with another
That was not my own

Still, we always
belong each other

That's why I say things
You always knew.
Things over time
forgotten.

Throughout your life,
You were dispersed,
the sound almost inaudible
Of my voice
Did predictions in your
thoughts

From the start, we always
belong each other

I conjugated you in the singular
When your body was not mine
When your sweat I was unaware
When your taste does not danced
on my lips

Still, we always
belong each other

For what you gave to others
was not due to me,
and what you saved for me
was not for anyone else

Therefore, I feel with so much fury
That rock my world.
I take you with so much love
so dear
that fire envys the heat.

I take you by storm
Your eyes staring at me
Surprised
with disbelief of
someone who did not understand
How this old love
still flowed.

Prior to the beginning and after the end
We
Always ...
Forever ...
belong each other

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Futile


Eu me reescreveria em novos versos
Se não achasse inútil os esforços
Fazer de mim poesias frustradas
De estrofes obvias e linhas rasuradas

...

I would rewrite myself
If I did not thought it is useless efforts
Make myself into frustrated poetry
Of obvious strophes and erased lines

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

I am what´s left


Sou aquilo que resta
Da refeição
Sou as migalhas de pão
Do vinho
Sou produto da oxidação
Do fogo
Sou as cinzas sob o cal
Do mar
Sou espuma e sal
Do som
Sou apenas o eco
Da imagem
Sou apenas o reflexo
Do sorriso
Sou a expressão vazia
Dos sentidos
Sou a anestesia
Das saudades
Sou o esquecimento
Do amor
Sou um breve momento
Da metade
Sou aquilo que não presta
E da vida
Sou apenas aquilo que resta

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I am what´s left
From the Meal
I am the bread crumbs
From the Wine
I'm product of oxidation
From the Fire
I'm the ashes under Lime
From the Sea
I'm foam and salt
From Sound
I'm just the echo
From Image
I'm just the reflection
From the Smile
I am the empty expression
From the Senses
I am the anesthesia
From regards
I'm the
forgetfulness
From love
I'm just a moment
From the Half
I am what´s not woth it
And
from life
I'm just what is left

sábado, 13 de fevereiro de 2010

No man´s Land



Vem comigo revisitar estes caminhos.
Reflete o pânico no andar nervoso e rápido.
Imaginando-se novo na antiga imagem.
Atrás de refugio em emoções dissolvidas.
Como quem se esconde da chuva sob a peneira.

Nestas ruelas escuras jazem meus devaneios.
Outrora, reinei sozinho por estes domínios
Entre juras eternas e paixões desmedidas
Crepitando nas chamas de promessas e esperanças.
O fogo não alimentado foi consumido pelo tempo.

Foram minhas lagrimas torrenciais
Que lavaram os resquícios do amor.
Não deixando nem mesmo cinzas à Fênix.
Neste labirinto de ruas doloridas que restaram
Perambulo sem destino revendo outdoors.

Natureza morta de frutos secos e mofados.
Fotos despossuídas de cores e vida,
Fazem tremer minhas pernas, calam minha voz.
E deste palanque mudo
Não vejo mais caminhos de ousados atalhos.

A saída compreende-se em uma única opção
Estrada de duplo sentido, reta e deserta
A caminhada solitária contra o horizonte longínquo,
Começa na partida sem despedidas
Com os ecos dos passos e do passado
Entre lábios apertados e reações inquietas.

---

Come with me to revisit these paths.
Reflects the panic in a disorder and fast walk.
Imagining it new into the old image.
Seeking refuge in fading emotions.
Like someone who hides from the rain under the sieve.

In those dark alleys lie my dreams.
Once, I reigned alone in these domains
Among eternal vows and crazy passions
Crackling in the flames of promises and hopes.
The fire not fed consumed by time.

My torrential tears
Washed the remains of love.
Not leaving even ashes to the Phoenix.
In this maze of painful streets that remain
I wander aimlessly reviewing outdoors.

Still life of fruits dryed and moldy.
Photos dispossessed of colors and life
They shake my legs, silence my voice.
And in this mute platform
I see no more ways of daring shortcuts.

The exit consists into a single option
A two-way road, straight and deserted
A solitary walk against the far horizon
Started at the departure without goodbyes
With the echoes of footsteps and the past
Among tight lips and anxious reactions.