terça-feira, 12 de outubro de 2010

Snake woman







Esguia

Esquiva

Hipnótica

Língua bifurcada

Sibila

Presas arcadas

Veneno vertente

Serpente

Enrodilhada

Perigo iminente

Desejo

Tua picada

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Wanting the one you can´t have




Olhos fixos
Em olhos dispersos

Palavras não acolhidas
E respostas evasivas

Gestos não alcançam
Objetivos diversos

Fogo tímido não degela
A ausência de perspectivas

E a dor de querer alguém
Que não podemos ter

O desejo que sucumbe
Ante as invisíveis barreiras

É bater retirada sem avançar
Evitar aquilo que poderia ser

Fugir do natural instinto
E não cruzar ousadas fronteiras

Fruto da nossa própria criação
Medo disfarçado de razão

Quem ama aquele que não se pode ter

Conforma-se com o não concretizado
Hipocritamente chamando de perfeição

Mas esquece que isso não é viver.

segunda-feira, 19 de julho de 2010




No Sound But The Wind

Nennhum Som além do Vento



We can never go home, son Não podemos mais ir para casa, filho
We no longer have one Já não temos mais uma
I’ll help you carry the load, son Ajudarei você levar a levar a carga, filho
I’ll carry you on my back Eu levarei você nas minhas costas
We walk through the ash, Nós caminhamos pelas cinzas,
And the charred remains of our country E pelos destroços queimados do seu país
Keep an eye on my back, son Mantenha o olhar nas minhas costas, filho
I’ll keep an eye on the road Eu manterei o meu na estrada


Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
We will keep it alight together Vamos mantê-lo juntos
Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
This road cant go on forever Esse caminho não pode continuar para sempre


If I say shut your eyes, son Se eu digo para fechar os olhos, filho
If I say look away Se eu digo para desviar o olhar
Bury your head in my shoulder Enterre sua cabeça em meus ombros
Think of a birthday Lembre-se de algum aniversário
The things you put in your head As coisas que você tem na cabeça
They wont stay there forever Não estarão lá para sempre
I’m trying hard to hide your soul, son Estou me esforçando para esconder sua alma, filho
From things it’s not meant to see Das coisas que não pretende ver


Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
We will keep it alight together Vamos mantê-lo juntos
Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
This road cant go on forever Esse caminho não pode continuar para sempre


Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
We will keep it alight together Vamos mantê-lo juntos
Now help me to carry the fire Agora me ajude a manter o fogo aceso
This road wont go on forever Esse caminho não vai continuar para sempre


No sound but the wind Nenhum som além do vento
No sound but the wind Nenhum som além do vento


If I say shut your eyes Se eu digo para fechar os olhos
If I say shut your eyes Se eu digo para fechar os olhos
If I say shut your eyes Se eu digo para fechar os olhos
If I say shut your eyes Se eu digo para fechar os olhos


Help me to carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
We will keep it alight together Vamos mantê-lo juntos
Help me carry the fire Ajude-me a manter o fogo aceso
This road wont go on forever Esse caminho não vai continuar para sempre

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Horizon - where dreams go to die...


Vasto horizonte que foge de investidas
Tua linha imaginaria tão reta e distante
Desafia o alcance de meras almas feridas
Troca de cor e luz és mudança constante

Por vezes deserto, montanhas ou mar
Por vezes inicio, mas nunca meio ou fim
E corres apenas quando tento alcançar
Distancia estática quando fixo em mim

Indiferente ao gesto simples e complicado
Dos seres que não possuem relevância
Continua inexorável sem cometer pecado

Sem carência de nexo ou medir distancia
Aonde vai o sonho depois de sonhado
Aonde vai a inocência depois da infância

sábado, 10 de julho de 2010

Dead Can Dance - The Arcane



Here in the garden
of the arcane delights
dark shadows overwhelm us
and and we become blind.

Blind to the needs of
those who would be free
from the breath of fear
and the prisons of the mind

ahhhh...

Amidst the throes of perplexity,
freedom moves amongst us
in her hand is held the seed

Extermination angels
stood beside the road
In violent retribution for
the seeds that we have sown...

ahhhh

----

Aqui neste jardim
de prazeres do arcano
sombras negras nos sobrepujam
nos tornando cegos

cegos à necessidades
daqueles que seriam livres
do hálito do medo
e das prisões da mente

Em meio das agonias da perplexidade
a liberdade caminha entre nós
com a semente em suas mãos

Anjos do extermínio
parados ao lado da estrada
em violenta retribuição
às sementes que plantamos.

terça-feira, 29 de junho de 2010

This Mortal Coil "Acid, Bitter and Sad"




The half-moon is aching, bitter and sad.
We are wet. we are stripped to the bone.
It's out of our hands, the dream we're bound to dream.
We are wet, always alone

-------

A meia-lua sofre amarga e triste.
Estamos molhados. despidos até o osso.
Fora de nossas mãos, o sonho que fomos destinados a sonhar.
Estamos molhados, sempre sozinhos

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Total eclipse of the heart


“ – Você é um romântico.”
Tenho que admitir que já escutei esta afirmação mais de uma vez na vida.
Nunca discordei, mas recentemente tenho que adicionar:

Sou um romântico incorrigível!

A vida já me mostrou em varias ocasiões este fato, mais ainda, ela já demonstrou para mim que hoje em dia ser assim é deveras penoso.

Às vezes gostaria de não sê-lo. Gostaria de dispensar a mesma forma de tratamento aos outros. Às vezes tento ser recíproco, mas no fundo eu sei que sou apenas um arremedo deste tipo de pessoa. No fundo sinto tudo, talvez mais.

Estas pessoas preferem desconfiar a confiar. Elas preferem dissuadir a serem sinceras. Elas escondem o que sentem. O problema é que escondem por tanto tempo que ao final nem sabem mesmo o que sentem.

Estas pessoas não se comprometem de corpo e alma em nada. Elas se apóiam em coisas materiais, em vantagens, em “ter” e não no “ser”; e tudo que elas acreditam tem que ser dentro de seus padrões. Até seus sonhos acabam por serem medíocres, uma vez que a nós tudo é possível sonhar.

Sempre me perguntei porque dou mais valor a amizades e amor do que as pessoas com quem travei este enlace. Acho que alem de romântico sou muito ingênuo. Permito-me sentir tudo em sua máxima extensão, depois penso que a outra parte faz o mesmo. Nunca o fazem.

A vida me mostrou que sou um bom amigo, enquanto sirvo a algum interesse da parte oposta. Ela me mostrou que sou um ótimo namorado, noivo, marido, se eu também estiver apenas dentro daquilo que é esperado, caso contrário de nada sirvo.

E eu continuo desfiando o velho monólogo utópico: amor incondicional, reciprocidade, sinceridade, honra, compreensão...

O que vale os anos passados, a sabedoria que pensamos ter, as mudanças que passamos?

Minha sabedoria não me conforta em nada, ao contrario, só me deixa cada dia mais cético.

Os anos que se passaram foram quase como apenas para marcar linhas no rosto e acumular problemas.

As mudanças... Estas, que um dia, pensei ser finalmente evolução. Não reconhecidas. Muito menos aproveitadas.

Afinal de que adianta discernir o certo do errado, se quase ninguém dá valor a isso?

O grande problema de se pensar sozinho, de não seguir padrões definidos a não ser por si mesmo, é depois cair no ostracismo daqueles que você ama. O diferente atrai, mas cansa eventualmente. Pode ser breve ou demorar muito tempo, mas o final é quase sempre o mesmo. Descartado.

Maior problema ainda de ser um romântico incorrigível e ingênuo é sempre desejar não ter esperanças, mas tê-las assim mesmo. A cada esperança atravessada mortalmente no coração por uma lança da realidade, renasce outra, diferente, talvez mais fraca, porem igualmente dolorosa quando morre.

Estas mortes não deixam cicatriz no corpo. Talvez transpareçam nos olhos. A janela da nossa essência. Meus olhos carecem de espaço.

Esperança, esta fênix maldita, cujo cemitério já conta com milhares de cruzes fincadas.

Pois me falta a coragem de admitir certas coisas que a vida não cansa de me jogar na cara, às vezes até mesmo me esbofeteando com elas. Não sei se é apenas coragem ou em minha infinita ignorância eu não consiga entender como coisas simples que anseio são tão difíceis de se obter.

Coisas como:

Ser visto como uma pessoa normal e não apenas um amontoado de defeitos.

Ser visto como igual por aquele que se ama.

Sonhar o impossível, mas contentar-se com aquilo que poder ser realizado.

Receber a mesma compreensão que dispenso.

Receber aquilo que dou em igual proporção.

Ser aceito como eu sou, da mesma maneira que aceito os outros.

O anseio de alguém para compartilhar aquilo que sou e não apenas aquilo que tenho.

Eu vou continuar sendo um romântico... A despeito do que a vida possa querer me ensinar neste momento, como quis em outros. Serei, pois está em mim lutar, mesmo sabendo que vencerei batalhas pequenas, mas nessa guerra a vitória nunca foi minha.

Eu sei que a vida não carece de justiça. Nós, sim.

Eu sei que o tempo é indiferente. Nós, não.

Eu sei que o destino não existe, a não ser aquele que traçamos e depois não seguimos.

Eu sei que não há nada alem, nada aquém, nada... alem de nós, das escolhas que fazemos ou pensamos fazer e daquilo que fazemos de nós depois destas escolhas.

Eu sou senhor do nada. Serei levado onde quer que seja.

Nessa viagem o importante não é o destino e sim a jornada.

sábado, 22 de maio de 2010

long story short...


Vinte Anos Depois é um romance de Alexandre Dumas

duas décadas não são nada

é a média de vida do homem primitivo do escravo romano

é a idade de um cão muito muito velho

é a média de glória de um artista maior

o tempo sem celulite de uma cortesã

o lapso de procriação depois do casamento

quatro ou cinco mandatos políticos

o auge de um Império

vinte anos levou a Constantino reformar Bizâncio

vinte anos fizeram a fortuna de Frick Morgan e Du Pont

vinte anos entre a apresentação no Templo e a crucificação

vinte anos é a matéria dos memorialistas

vinte anos e o povo se cansa da Revolução

vinte anos depois Odette está casada e Marcel morto

a roda o computador pessoal a moda das perucas

brancas se popularizam em não mais de vinte anos

Quéfren e Miquerinos construíram suas pirâmides em vinte curtos anos

vinte anos depois o cadáver está frio olvidadíssimo

vinte anos de exercício e o êxtase desce ao asceta

nada nada são duas décadas vinte vezes nada

a ponte nova entre aqui e ali está congestionada hoje

a então chamada ponte do futuro já não serve mais

agora quando estás nela também estás aqui

tinhas o cabelo solto tinhas a rédea solta

soltas tinhas as palavras

há vinte anos

entre aqui e ali.

Quadragésimo
Horácio Costa
Antologia comentada da poesia brasileira do século 21
Manuel da Costa Pinto

quinta-feira, 20 de maio de 2010

the end has a start, that is the end...


Faço da dor
Lição de vida
Faço do amor
A despedida

Folha em branco
Pagina virada
Um novo canto
E nova estrada

Ciclo quebrado
De idas e vindas
Ainda magoado
E nas berlindas

Levo este gosto
Salgado e amargo
Lágrimas no rosto
Livre de encargo

Liberdade imposta
Contra a vontade
Sem direito a resposta
Nem mesmo a verdade

Parto só enfim
Para o recomeço
Sei dentro de mim
Tudo tem preço

Vagarei errante
Até que um dia
Por um instante
Terei paz e alegria

Ciclos incontáveis
Viver e sofrer
Tão intermináveis
Como amar e morrer.

sábado, 15 de maio de 2010

Suffer little children...






A você que me lê agora, quero que saiba:

Eu te desejo sofrimento e dor.

Não se engane, não te odeio, não é por maldade que lhe desejo isso. Eu te desejo isso para que você possa superá-los e evoluir.

As pessoas nada aprendem com a felicidade e alegria. É da dor, do sofrimento, dos obstáculos impostos ou construídos por nós mesmo que conseguimos extrair lições e aprender.

É muito comum ouvir-se que nunca aprendemos em observar os erros alheios e apenas errando é que aprendemos. Parte disso é verdade, porem se você refletir bem, se olhar tempo suficiente com empatia ao sofrimento de terceiros, quem sabe poderá aprender algo sem ter que cometer os mesmo erros.

Eu que sou apenas uma pessoa ordinária. Sujeito a todas as falhas que um ser humano pode ser, às vezes me considerando até mesmo mais falho que a maioria. Digo a você:

Não tenha medo de errar, mas errando procure reparar os danos e perdoar-se

Não vague em círculos em buscas de respostas, na maioria das vezes nem sabemos qual é a pergunta correta. Na maioria das vezes saber perguntar é muito mais importante do que saber responder. Sabendo a pergunta, eventualmente a resposta o descobrirá.

Não busque o amor, na hora certa ele o encontrará e quando encontrá-lo, não fuja dele com medo de sofrer novamente, entregue-se totalmente.

Saiba que tudo reside dentro de você, perguntas e respostas, amor e dor, alegrias e agruras. Fugir nunca o levará a nada, enganar-se ou iludir-se também não. Descubra-se, aceite-se. Mude.

Controle seus desejos, suas expectativas, são deles que brotam grande parte de sua infelicidade. Nada espere e tudo receberás.

Saiba que perdoar ou pedir perdão são atos que você faz por você mesmo e não pelos outros.

Permita-se sentir tudo a sua volta com extrema intensidade. Depois modere-se.

Não seja rápido em julgar e não incomode-se tanto com julgamentos de outros, ao final será você quem proferirá sua própria sentença.

Questione tudo. Não aceite respostas impostas, fé cega ou tradições arcaicas.

Viva o hoje, lembre-se do passado e sonhe o amanhã. Qualquer alteração nessa ordem e você estará no caminho errado.

Acredite, você não é tão feio quanto os outros possam lhe dizer nem tão bonito quanto você pensa e vice versa.

Enfrente seus medos. A coragem não reside em não senti-los, mas em superá-los.

Peça ajuda quando precisar, mas nunca conte com ela para prosseguir. Nos piores momentos a despeito de qualquer um que esteja ao seu lado, você sempre se sentirá sozinho.

Seja flexível. Tente colocar-se no lugar de outros, tente enxergar através de novos pontos de vista e nunca tenha medo, orgulho ou teimosia a ponto de não ser capaz de mudar de opinião. E mesmo que ao final não concorde com outros pontos de vista, respeite-os.

Por mais impossível que pareça procure guardar os bons momentos e não deixar os maus acabem por lhe impedir de viver.

Não se deixe abater por insultos, nem acredite cegamente em elogios.

Saiba que a verdade é subjetiva e mutável. Há poucas verdades absolutas. Saiba que a realidade quase nunca é aquilo que você imagina.

Você é apenas um ser humano, comum, cheio de qualidades e falhas. Assim como todos nós.
Mas existe algo dentro de você que o faz único, mesmo que não seja aos olhos de outras pessoas, mas perante aos seus próprios olhos.

Por fim, quero lhe dizer “Use filtro solar” (hehehe), brincadeira...

Na verdade estas são apenas algumas coisas que penso hoje.

A beleza do ser humano é que mudamos. Tudo muda. E amanhã posso me permitir discordar de muita coisa que escrevi aqui.

Portanto não leve tão a sério o que você leu, talvez nada sirva para você.

Eu te garanto que nada há de novo aqui, afinal conselhos são apenas uma forma de reciclagem de filosofias e ditos populares.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Placebo - Twenty Years


There are twenty years to go
And twenty ways to know
Who'll wear, who'll wear the hat

There are twenty years to go,
The best of all I hope
Enjoy the ride,
The medicine show

And thems the breaks for we designer fakes
We need to concentrate on more then meets the eye

There are twenty years to go,
The faithful and the low
The best of starts, the broken heart, the stone

There are twenty years to go,
The punch drunk and the blow
The worst of starts, the mercy part, the phone

And thems the breaks for we designer fakes
We need to concentrate on more then meets the eye
And thems the breaks for we designer fakes
But it's you I take, cause you're the truth, not I

There are twenty years to go
A golden age I know
But all will pass, will end to fast, you know

There are twenty years to go,
And many friends I hope
Though some may hold the rose some hold the rope

And that's the end and that's the start of it
That's the whole and that's the part of it
That's the high and that's the heart of it
That's the long and that's the short of it
That's the best and that's the test in it
That's the doubt, the doubt,
The trust in it
That's the sight and that's the sound of it
That's the gift and that's the trick in it

You're the truth, not I you're the truth, not I
You're the truth, not I you're the truth, not I
You're the truth, not I you're the truth, not I
You're the truth, not I you're the truth, not I

Vinte Anos

Há vinte anos por vir*
E vinte maneiras de saber
A quem servirá a carapuça.

Há vinte anos por vir
O melhor de todos, eu espero.
Aprecie a viagem, o show da medicina.

E então a queda, para nós, falsificados.
Nós precisamos nos concentrar em mais do que os olhos veem.

Há vinte anos por vir,
O fiel e o baixo.
O melhor dos começos, o coração partido, a pedra.
Há vinte anos por vir,
O ponche bebido e o sopro.
O pior dos começos, a parte da piedade, o telefone.

E então a queda, para nós, falsificados.
Nós precisamos nos concentrar em mais do que os olhos veem.
E então a queda, para nós, falsificados.
Mas é você que eu levo, porque você é a verdade, não eu.

Há vinte anos por vir
Uma idade preciosa, eu sei.
Mas tudo passará, terminará rápido demais, você sabe.

Há vinte anos por vir
E muitos amigos eu espero.
Embora alguns possam segurar a rosa e alguns a corda.

E isso é o fim e isso é o começo.
Isso é o todo e isso é a parte.
Isso é o ápice e isso é o coração.
Isso é o longo e Isso é o breve.
Isso é o melhor e isso é o teste.
Essa é a dúvida, a dúvida,
a confiança nisso.
Essa é a vista e esse é o som.
Esse é o dom e esse é o truque.

Você é a verdade, não eu.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dive into nothing


Eu que mergulhava
nos teus olhos
Profundos
Hoje, poça rasa
de agua castanha...

Voce que mergulhava
em meus olhos
Castanhos
Hoje, lago seco
de areias profundas

domingo, 2 de maio de 2010

too late




Tu não eras o ar,
Mas vontade
que eu tinha
em aspira-lo

tu não eras a água,
mas de ti eu tinha
sede e de ti me
saciavas

tu não eras o fogo,
mas sem ti
eu apenas sentia
o solitário frio

tu não eras terra,
mas sem ti
meus frutos
nunca vingaram

tu eras causa,
motivo
e conseqüência

tu eras desejo,
abrigo
e conforto

tu eras tudo
que imaginei
que serias

fizestes morada
em minha mente,
alimentando a
ilusão de antes

tu eras tudo que
inventei de ti,
só não eras tu

ao perceber-te
cega, muda e surda
ignorei –te .
orando à imagem
que de ti construí

e quem parte
da minha vida
não és tu
é apenas aquilo
que fiz de ti.

E se hoje sofro
Com tua partida
E tua rejeição
Não é por ti que sofro
É apenas por aquilo
Que imaginei de ti.

O amor dispensado
A tempo tomado
A vida compartilhada
Fora apenas
Desperdiçada em vão
Em algo
Que nunca existiu
Senão na imaginação

sábado, 1 de maio de 2010

The king of fools again...



De teorias e hipóteses
Nada mais de duvidas
Vil medida que peses
Balanças não aferidas

Resta a cruel certeza
Daquela que não ama
Que abandona ilesa
Este barco em chama

Aderna e naufraga
Na gota de esperança
Ignora minha chaga
E sofrimento da criança

Torna tua culpa minha
Torna meu teus erros
A esperança definha
Vida, amor, enterros

Orgulho que impede
Desculpas sinceras
Tu que nunca cede
Palavras que imperas

Nem culpa ou remorso
Sem choro ou dor
Sem peso no dorso
Na verdade sem amor

Lagrimas inexistentes
Ironia ainda no rosto
Cospe entre dentes
Sarcasmos e desgosto

Sou mesmo o incauto
Que acaba acreditando
Em teu falso riso alto
E mentiras sem tamanho

Meu coração acredita
Que você até se importa
Minha alma rasa e aflita
Me dá um nome: Idiota!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Last Night I Dreamt That Sombody Loved Me" - The Smiths



Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm

Last night I felt
Real arms around me
No hope, no harm
Just another false alarm

So, tell me how long
Before the last one?
And tell me how long
Before the right one?

The story is old - I know
But it goes on
The story is old - I know
But it goes on

----

Noite passada sonhei
Que alguém me amava
Sem esperança, sem consequencia
Apenas mais um alarme falso

Noite passada eu senti
Braços de verdade me envolvendo
Sem esperança, sem consequencia
Só outro alarme falso

Então me diga quanto tempo passou
Antes do ultimo?
E me diga quanto tempo passará
Antes do certo?

A história é velha - eu sei
Mas ela continua
A história é velha - eu sei
Mas ela continua...

terça-feira, 20 de abril de 2010

You sail, I stay - The Seagull´s final laugh



Na partida
Não foi o vento
Que enfunou velas

Deixa o porto
Solitário e decrépito
Quando amarras
Não desatadas
Romperam-se
Por puro desgaste

Lentamente afasta-se
Movida apenas
Pela corrente rotineira.
Num balanço monótono
De um mar sem ondas
Que precede a tempestade.

O porto apenas observa
Estático
Enquanto a silueta
Negra
Fica menor e
Contrasta ao por do sol
Vermelho

Enquanto desvanecem
Esperanças de cordas novas
Ou repentinas ancoras
A ironia de morrer
De sede
Face a tanta água
Finalmente revelada
Insalubre e intragável.

Decorrerá o tempo
Esfacelando facilmente
Utopias de portos novos
Ou novas embarcações.
Finalmente concebendo
O sentimento de estar a
Deriva
Ou sofrer os efeitos da
Corrosão

Decorrerá o tempo
Porto e embarcação
Arrependidos
Pela separação
Corrompidos
Pela passividade

A beira do assoreamento
Ou do naufrágio
Ambos perguntam-se:
Afinal, quem lhes saciaria
A sede
Neste mar cor de sangue
E gosto de lagrimas?

Escapava-lhes a resposta
Obvia a todas as gaivotas
Que os rodeavam

---------

At departure
Wasn´t the wind
That puffed sails

Leaving the port
Lonely and decrepit
When bonds
Not untied
Broke down
For been worn

Slowly moves away
Tooked only
By the routine´s stream.
A monotonous balance
A sea without waves
Preceding the storm.

The port only observes
Static
While the silhouette
Black
Gets smaller and
Contrasts the sunset
Red

While fades
Hopes for new strings
Or sudden anchors
The irony of dying
Of thirst
Faced with so much water
Finally Revealed
Unhealthy and unpalatable.

Time will pass
Crumbling easily
Utopias of new ports
Or new boats.
Finally conceiving
The feeling of being at
Drift
Or suffer the effects of
Corrosion

Time will pass
Port and vessel
Sorry
By separation
Corrupted
By passivity

At the edge of the silting
Or the sinking
They ask themselves:
After all, who will satiate
that thirst
In this sea the of bloody colors
And taste like tears?

Eluded them the answer
Obvious to all seagulls
That Surrounds them

quinta-feira, 8 de abril de 2010

The tear that tear my soul


Ainda mancha a memória
A lembrança caustica
Do sumo do teus olhos

Tua Iris afogada
Alvo cedendo ao rubro
Nesta enchente, soluços

Ainda dói a cicatriz
No coração de outrora
Jazem farpas e caricias

Coágulos não dispersos
Vividos, densos, mornos
Escorrendo vida afora

---------

Still stains the memory
The caustic remembrance
The juice of your eyes

Your Iris drowned
Niveous yielding to red
In this flood, groans

The scar still hurts
At the heart of yore
Lie barbs and caressing

Clots not dispersed
Lived, thick, warm
Dripping away through life

segunda-feira, 8 de março de 2010

Broken vase


Insisto em colar
Cacos do passado
Este vaso singular
Assim estilhaçado

Uso sentimentos
como adesivos
uno fragmentos
inconclusivos

de formas restauradas
trincas aparentes
beleza abandonada
vasos diferentes.

O esforço fútil
De juntar o quebrado
Símbolo inútil
De cacos do passado

------

I insist on pasting
Shards of the past
This unique vase
Just shattered

Using feelings
as adhesives
Fusing fragments
inconclusives

Restored forms
apparent cracks
Abandoned beauty
different vases

The futile effort of
Joining the broken
The Useless Symbol of
Shards of the past

terça-feira, 2 de março de 2010

Absense


Por que este silêncio?
Se tudo que quero é o grito
Até que sangre a garganta
Até que a calma me abata
E o rosto deixe esta mascara

A quem devo odiar?
Por ter colocado tanto desejo
E ninguém para desejar
Por ter me dado chaves
Onde não há portas a abrir

A quem devo culpar?
Por este amor imenso que sinto
Guardado e trancado no peito
Em um universo finito
Do qual sou o único habitante

Por que sentir tanto?
E a tal ponto, que me desconecto
Dessa realidade irreal
E vivo no imaginário precário
De uma mente difusa

De onde vem tanta tristeza?
Que me inunda desde o inicio
Que extrapola minhas fronteiras
Gerando essa enxurrada
E deixando apenas destroços

Disseram-me que a escuridão não existe
É apenas ausência de luz
Disseram-me que o frio não existe
É apenas ausência de calor

E sendo assim, concluo
Que eu não existo
Pois sou apenas uma grande ausência
De mim
E tudo que não me permito sentir
É apenas fruto daquilo que não imagino
Nesta ausência completa e absoluta
De esperanças.

--------

Why this silence?
If all I want is the shout
Until the throat bleed
Until calm reaches me
And the face, leave this mask

Who should I hate?
For putting so much desire
And no one to desire
For giving me keys
Where there are no doors to open

Who should I blame?
For this immense love that I feel
Stored and locked in the chest
In this finite universe
Of which I am the only inhabitant

Why do feel so much?
So much so that I get disconnected
This unreal reality
And live in the imaginary and precarious world
Of a fuzzy mind

Whence such sadness?
That overwhelms me from the beginning
That goes beyond my boundaries
Generating this torrent
And leaving only wreckage

They told me that the darkness does not exist
It's just absence of light
They told me that the cold does not exist
It's just absence of heat

And so, I conclude
I do not exist
For I am just a big absence of
Myself
And all that I allow myself to feel
It is merely the result of what I do not imagine
In this complete and utter absence of
Hopes.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Heartrock


Voraz
Arrancado
Do cofre
Inexpugnável

Pela tua
Língua de
navalhas
Mutilado


Mascado
Cuspido
Pelos teus
Dentes
Ferinos

Afogado
No lago
De lagrimas
Vertidas

Resgatado
Em redes
Comiseradas
E profundas

Queimado
No fogo
Do teu
Olhar frio

Petrificado
Crucificado
E amarrado
De volta
A este lugar
Farpado
e Vazio.


---

Voracious
Pulled
From the vault
Impregnable

By your
Tongue of
razors
Truncated


Chewed
Spat
For thy
Ferine
Teeth

Drowned
In the Lake
Of tears
Shed

Redeemed
In the nets
Commiseratives
And deep

Burnt
On Fire
Of your
cold look

Petrified
Crucified
And tied
Back
In this place
Barbed
and empty.

A mulher imaginada



A mulher imaginada não tem face
Mas sabemos que ela é linda
Não há destino que ela não trace
Por uma trilha que não finda

A mulher imaginada não tem forma
Mas sabemos que são ideais
Dela tudo veio, a ela tudo retorna
Faz de fantasias, coisas reais

A mulher imaginada não é imperfeita
Tão ilimitada quanto a imaginação
Projetada, construída e por fim eleita

A mulher imaginada mora no coração
Mas a voz que não cala insiste:
Esta mulher imaginada não existe.

Sonho em celulóide




Foi um sonho incomum...

Em tons de cinza daltônicos sua forma destacava-se pois era a única colorida.

Lembro-me do castanho profundo do seu olhar tímido, pronto a tornar-se selvagem se não fosse o muro que o prendia... Medo.


Foi assim caminhando ao seu lado, passos lentos e assíncronos, ouvíamos um burburinho constante

Falando, rindo, gritando ou chorando,tudo misturava-se ao som das ondas próximas.

Absorto, percebi finalmente o que sempre nos separou... Medo.


Apesar de termos a mesma direção percorríamos o caminho sozinhos. Como se algo nos dissesse que seria muito perigoso deixar outra pessoa chegar tão perto.

Ao chegarmos a beira mar o cheiro salgado e brisa fresca misturavam-se ao cheiro do seu cabelo perfumado

Um estranho sentimento de deja vu me tomou subitamente, como se sempre tivéssemos estado ali.


Pés na areia molhada, a orla se estendia alem da vista, no horizonte o sol lentamente nascia...

Agora em tons de sépia.

Não saberia dizer se fui tomado pelo impulso, ou se apenas fracassei em controlar meus atos
ou ainda se fui ingênuo, pensando ser capaz de controlar algo que rivalizava com as maiores forças da natureza.

Te beijei... por um momento senti seu sabor, por um momento esqueci o medo... E tudo resumiu-se a isto, um momento...

Até que fui afastado com força, o tapa na face me deixou atordoado, envergonhado... Tento explicar, mas estou paralisado

Chorando você me beija de novo, morde meus lábios até que sangrem e me diz que tem medo...

Que não é hora, que não é isso, que não ...

Não!

Pego sua mão, você a solta com força. Tento colher suas lágrimas, não consigo.

Te abraço forte e digo :

-Adeus...

Seu choro aumenta., você me empurra, meu sangue ainda nos seus lábios perdem a cor.

Impotente, magoado, culpado, coração partido

Começo a caminhar para um exílio voluntário ... Te deixo ali parada me olhando

Retorno por onde viemos, dando minhas costas a você, lutando para não olhar para trás, inutilmente tentando achar algo que não sei se sequer tivemos

Minha expressão de incredulidade, contrastava com a mudança em sua face quando a fúria finalmente se mostrou.

Um close nos meus lábios mostrava-me apenas balbuciando palavras que não faziam sentido...

Na tela o filme congela e rapidamente marcas do calor dissolvem em bolhas deixando
a sala no escuro apenas o som do projetor rodando e a fita batendo...

Sentada ao meu lado, você segura minha mão:

-O filme já acabou ? - Você pergunta confusa.

-Este filme não tem fim, nem créditos finais.- Respondo ecoando no escuro.

As luzes acendem-se, damos conta da sala enorme e vazia que estávamos.

-Que pena eu queria tanto saber o final... - Você fala enquanto desce as escadas
me deixando sentado, ainda tentando entender.

Antes de sair você olha para trás, esperando por alguma coisa

-O final nunca foi escrito, assim como "eu te amo" nunca foi dito, não deve ser um romance.- Conclui, com uma voz tremula.

Olho para baixo buscando sua expressão, na expectativa de ser contrariado.

-Não é. - Você responde com firmeza.

-Então o que é? - Pergunto ansioso enquanto me levanto.

-Não sei...

Fico parado ali sem respostas no meio da sala, a tela branca encoberta pelas cortinas, o som do projetor silencia

Logo depois que você sai, continuo ouvindo seus passos no corredor, as luzes se apagam novamente.

Sozinho me sento no escuro sussurrando em tom de oração

-Ninguém disse "Eu te amo"

Repito a mesma frase agora em voz alta, ouvindo apenas o eco me responder.

Eu te amo

Te amo

Amo

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

In Power We Entrust The Love Advocated





In Power We Entrust The Love Advocated - Dead Can Dance


Sail on silver wings
through this storm
what fortune love may bring
back to my arms again
the love of a former golden age.

I am disabled by fears concerning which course to take.
For, now that wheels are turning,
I find my faith deserting me...

This night is filled with cries of
dispossesed children in search of Paradise.
A sign of unresolve that,
envisioned, drives the pinwheel on-and-on.

I am disabled by fears concerning which course to take.
When memory bears witness to
the innocence, consumed in dying rage!

The way lies through our love;
there can be no other means to the end,
or keys to my heart...
you will never find.
You will never find!

---

Confiamos o poder ao amor preconizado.

Singre em asas prateadas
Através desta tempestade
A sina que o amor pode trazer
De volta aos meus braços novamente
O amor de uma era dourada

Desabilitado pelo medo, considerando o curso a tomar
Agora que a Roda da fortuna está girando
Descubro minha fé me abandonando

Esta noite preenchida de choros de
Crianças despossuídas em busca do paraíso
Um sinal de duvida que
Vislumbrada, impulsiona o cata-vento sem parar

Desabilitado pelo medo, considerando o curso a tomar
Quando a memória presta testemunho à
Inocência, consumida em uma fúria moribunda

O caminho jaz em nosso amor
Os fins não podem justificar os meios
Ou as chaves do meu coração
Você nunca encontrará.
Você nunca encontrará!

Give to Caesar what is Caesar's


Só... Sempre fomos assim
e apesar disso, sempre nos
pertencemos.

Quando tua cor e forma
a mim não eram familiares

Quando tua essência
se fundia com outra
que não a minha

Ainda assim, sempre nos
pertencemos

Por isso te digo coisas
que sempre soubemos.
Coisas que ao longo do tempo
esquecemos.

Durante toda tua vida,
dispersa que estavas,
o som quase inaudível
Da minha voz
Fazia profecias em teus
pensamentos

Desde o inicio, sempre nos
pertencemos

Conjuguei-te no singular
Quando teu corpo não era meu
Quando teu suor me era alheio
Quando teu sabor não bailava
em meus lábios

Mesmo assim, sempre nos
pertencemos.

Pois o que destes a outros
a mim não era devido,
e o que guardastes para mim
a mais ninguém era cabido.

Por isso te sinto com tanto furor
agitar meu mundo.
Te tomo com tanto amor
com tanto carinho
que ao fogo faz inveja o calor.

Te tomo de assalto e te levo
Teus olhos me fitando
Surpresos
com a incredulidade
de alguém que não entendia
como este antigo amor
ainda fluía.

Antes do Inicio e depois do fim
Sempre...
Eternamente...
nos pertencemos.

------

Alone ... We have always been like that
and yet we always
belong each other

When your color and shape
were unfamiliar to me

When your essence
merged with another
That was not my own

Still, we always
belong each other

That's why I say things
You always knew.
Things over time
forgotten.

Throughout your life,
You were dispersed,
the sound almost inaudible
Of my voice
Did predictions in your
thoughts

From the start, we always
belong each other

I conjugated you in the singular
When your body was not mine
When your sweat I was unaware
When your taste does not danced
on my lips

Still, we always
belong each other

For what you gave to others
was not due to me,
and what you saved for me
was not for anyone else

Therefore, I feel with so much fury
That rock my world.
I take you with so much love
so dear
that fire envys the heat.

I take you by storm
Your eyes staring at me
Surprised
with disbelief of
someone who did not understand
How this old love
still flowed.

Prior to the beginning and after the end
We
Always ...
Forever ...
belong each other

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Futile


Eu me reescreveria em novos versos
Se não achasse inútil os esforços
Fazer de mim poesias frustradas
De estrofes obvias e linhas rasuradas

...

I would rewrite myself
If I did not thought it is useless efforts
Make myself into frustrated poetry
Of obvious strophes and erased lines

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

I am what´s left


Sou aquilo que resta
Da refeição
Sou as migalhas de pão
Do vinho
Sou produto da oxidação
Do fogo
Sou as cinzas sob o cal
Do mar
Sou espuma e sal
Do som
Sou apenas o eco
Da imagem
Sou apenas o reflexo
Do sorriso
Sou a expressão vazia
Dos sentidos
Sou a anestesia
Das saudades
Sou o esquecimento
Do amor
Sou um breve momento
Da metade
Sou aquilo que não presta
E da vida
Sou apenas aquilo que resta

----

I am what´s left
From the Meal
I am the bread crumbs
From the Wine
I'm product of oxidation
From the Fire
I'm the ashes under Lime
From the Sea
I'm foam and salt
From Sound
I'm just the echo
From Image
I'm just the reflection
From the Smile
I am the empty expression
From the Senses
I am the anesthesia
From regards
I'm the
forgetfulness
From love
I'm just a moment
From the Half
I am what´s not woth it
And
from life
I'm just what is left

sábado, 13 de fevereiro de 2010

No man´s Land



Vem comigo revisitar estes caminhos.
Reflete o pânico no andar nervoso e rápido.
Imaginando-se novo na antiga imagem.
Atrás de refugio em emoções dissolvidas.
Como quem se esconde da chuva sob a peneira.

Nestas ruelas escuras jazem meus devaneios.
Outrora, reinei sozinho por estes domínios
Entre juras eternas e paixões desmedidas
Crepitando nas chamas de promessas e esperanças.
O fogo não alimentado foi consumido pelo tempo.

Foram minhas lagrimas torrenciais
Que lavaram os resquícios do amor.
Não deixando nem mesmo cinzas à Fênix.
Neste labirinto de ruas doloridas que restaram
Perambulo sem destino revendo outdoors.

Natureza morta de frutos secos e mofados.
Fotos despossuídas de cores e vida,
Fazem tremer minhas pernas, calam minha voz.
E deste palanque mudo
Não vejo mais caminhos de ousados atalhos.

A saída compreende-se em uma única opção
Estrada de duplo sentido, reta e deserta
A caminhada solitária contra o horizonte longínquo,
Começa na partida sem despedidas
Com os ecos dos passos e do passado
Entre lábios apertados e reações inquietas.

---

Come with me to revisit these paths.
Reflects the panic in a disorder and fast walk.
Imagining it new into the old image.
Seeking refuge in fading emotions.
Like someone who hides from the rain under the sieve.

In those dark alleys lie my dreams.
Once, I reigned alone in these domains
Among eternal vows and crazy passions
Crackling in the flames of promises and hopes.
The fire not fed consumed by time.

My torrential tears
Washed the remains of love.
Not leaving even ashes to the Phoenix.
In this maze of painful streets that remain
I wander aimlessly reviewing outdoors.

Still life of fruits dryed and moldy.
Photos dispossessed of colors and life
They shake my legs, silence my voice.
And in this mute platform
I see no more ways of daring shortcuts.

The exit consists into a single option
A two-way road, straight and deserted
A solitary walk against the far horizon
Started at the departure without goodbyes
With the echoes of footsteps and the past
Among tight lips and anxious reactions.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


Suicide note.

Da tua voz ficou o ultimo timbre

Ainda cortante e agressivo

Lamina na pele abrindo o sulco

Carne, músculos, tendões e ossos expostos

Escorre espesso e morno o liquido da vida

Pulsos lacerados, agua quente

Esfria aos poucos enquanto

A vida escoa pelo ralo em

Tons gradientes de vermelho.

Tal qual o amor esvaiu-se em redemoinho

Pouco a pouco sinto o corpo...

Dormente. Formigamento anestésico

Respiração fraca até que cesse

Em um ultimo suspiro.

Nos olhos opacos

Levo comigo

Tua imagem difusa em sorriso irônico

Antes que a escuridão faminta

Engula tudo com sua boca negra

Elegia




Then he turns his back and left ...
His silhouette at sunset diluted.
Tears and tears dried in
Faces of those who remain.
Memories of things that still
Not occurred.
Short journey here in this parallel
Now he runs through
endless roads in the sky of indigo.
he no longer suffers, we take comfort ...
he no longer lives among us but
Leaves scars and souvenirs
In the lives he touched.
His smiles and his laughter
Although recent
Staining our lives as
Fresh paint the lily fences
That define the tracks covered.
The momentary pain leaves
In the mouth a bitter taste
The incomplete way ...
He left lovers and friends
Parents and children.
We miss him and we mourn
We believe in destiny
Supporting our supreme wisdom
"Only one crossing" we say ...
To make bearable the absence
Now eternal.
Beliefs in the hope we place
That one day, somewhere else
We will see him again.
Meanwhile in that curve
The wind shakes the trees
The sun shines
Time passes
Everything goes
Indifferent to his departure.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

só sei que foi assim...




tudo começou por mera curiosidade
Em uma expressão do teu rosto
tempos passaram sem maldade
sem ser eleito ou mesmo deposto

tomei um canto na sua vida
de linhas cruzadas e acasos
de conversa curta ou comprida
por lugares profundos ou rasos

Vi um fio de tristeza na sua alegria
fascínio puro pelo teu jeito de ser
encantado e preso na sua magia
fui deixando você me absorver

no inicio foi meio que assim mesmo
nada constante demos tempo ao tempo
e tudo corria lentamente à esmo
vida monótona, palavras ao vento

mas um dia o destino se fez presente
um encontro casual, nada sério
feito de carência e desejo inconsciente
o amor afinal desvenda seu mistério

foi lá no primeiro toque, no primeiro olhar
eu já sabia ter sido vencido de bom grado
só pensava em mil maneiras de te amar
possuído e feliz por ser subjugado

tudo foi como tinha que ser
levados sem rumo pelo destino
tanta alegria que não importa o sofrer
paixão louca, eu parecia um menino

hoje sobra a certeza que somos um só
sempre estivemos juntos até quando ausentes
fomos, somos e seremos, do pó ao pó
seremos tâo iguais quanto somos diferentes

dos sorrisos que planejo colocar na tua boca
da beleza que tens e da pergunta que faz pra mim
"mas como foi que tudo isso começou?" com voz rouca
não sei... só sei que foi assim...

Line Divide




Diga-me onde traçar esta linha
Que separa o sentimento da razão
Que separa o amor da humilhação
Que separa o ruído da canção

Diga-me quando traçar esta linha
Que separa a vida da morte
Que separa o azar da sorte
Que separa o fraco do forte

Diga-me porque traçar esta linha
Que separa o caminho da alegria
Que separa a realidade da fantasia
Que separa a noite do dia

Diga-me como traçar esta linha
Que separa você de mim
Que separa o começo do fim
Que separa o não do sim

Diga-me se devo traçar esta linha
Que separa o tudo do nada
Que separa o lápis da espada
Que separa enfim nossa estrada

Diga-me o sentido da linha
Ou então se cale para sempre
Enquanto minha vida definha
Até que a morte se dê por contente

Pois de traçar linhas eu nada entendo
Minha vida foi espectro de cores misturadas
Onde branco ao negro acaba cedendo
Onde escrevi certo por linhas erradas

-------

Tell me where to draw the line
That separates the feelings from reason
That separates the love from humiliation
That separates the noise from music

Tell me when to draw the line
That separates life from death
That separates the bad luck from luck
That separates the weak from strong

Tell me why draw the line
That separates the path from joy
That separates reality from fantasy
That separates night from day

Tell me how to draw this line
That separates you from me
That separates the beginning from the end
That separates the no from yes

Tell me if I must draw this line
That separates all from nothing
That separates the pencil from the sword
That separates finally our road

Tell me the meaning of the line
Or shut the hell up forever
As my life dwindles
Until death be satisfied

Because from drawing lines I know nothing
My life has been a mixed spectrum of colors
Where white to black just fades
Where I wrote right on the wrong lines

As the storm goes by




A fúria deu lugar a calma resignada.

O vento deixou de arcar arvores,

Cedeu lugar a uma brisa monótona.

A revolta ainda jovem lentamente

Morreu nas orlas da praia deserta.

O granizo ainda permanece amontoado

Teimoso, recusando-se a derreter.

Destes olhos castanhos, a tempestade partiu...

Apenas resta a monotonia do dia cinza

E destroços espalhados pupilas afora.

Raios e relâmpagos são apenas memórias.

Distantes, como o trovão que ressonava.

No peito.

-----

The rage turn into quiet resignation.

The wind no longer bends trees,

Gave way to a dull breeze.

The revolt still young slowly

died on the shores of a deserted beach.

The hail piled up remains

Stubborn, refusing to melt.

From these brown eyes, the storm left...

Just leaving the monotony of gray days

And debris scattered pupils apart.

Lightning and bolts are just memories.

Distant, like the thunder that rumbles

in the Chest.

Lados Opostos do Espectro.



o branco ao negro encontra
para discutirem afinidade
o que parece uma afronta
torna-se uma bela amizade

no espectro, lados opostos
sozinhos, mas lado a lado
alfa, omega, todos compostos
completam-se de modo isolado

fruto improvável desta cria
Absurdo! diria um ranzinza
caso se apaixonassem um dia
o filho deles seria cinza

I forgot





















Lembrei-me do sal
Esqueci-me do mel
Lembrei-me do mal
Esqueci-me do céu

Lembranças distorcidas
Esquecimento conveniente
Lembranças divididas
Esquecimento insuficiente

Lembrei-me do amargo
Esqueci-me da alegria
Lembrei-me do fardo
Esqueci-me da partilha

Memórias da tristeza
Amnésia da felicidade
Amnésia da pureza
Memórias da maldade

Lembranças seletivas
Postas ao contrario
Lembranças tão vivas
Sufocadas no armário

Lembrei-me da morte
Esqueci-me de viver
Esqueci-me da sorte
Lembrei-me de esquecer.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Damien Rice - I Remember




I remember it well
The first time that I saw
Your head around the door
'Cause mine stopped working

I remember it well
There was wet in your hair
I was stood in stare
And time stopped moving

I want you here tonight
I want you here
'Cause I can't believe what I found
I want you here tonight want you here
'Cause nothing is taking me down, down, down...

I remember it well
Taxied out of a storm
To watch you perform
And my ships were sailing

I remember it well
I was stood in your line
And your mouth, your mouth, your mind...

I want you here tonight
I want you here
'Cause I can't believe what I found
I want you here tonight want you here
Nothing is taking me down, down, down...

Except you my love. Except you my love...

Come all ye lost
Dive into moss
I hope that my sanity covers the cost
To remove the stain of my love
In paper mache

Come all ye reborn
Blow off my horn
I'm driving real hard
This isn't love, this is porn
God will forgive me
But I, I whip myself with scorn, scorn

I wanna hear what you have to say about me
Hear if you're gonna live without me
I wanna hear what you want
I remember December
And I wanna hear what you have to say about me
Hear if you're gonna live without me
I wanna hear what you want
What the hell do you want?

Vertigens




Vertigo

pale like a cloud,
I start my stumbling steps.
short and drunk walk,
trying to support the convictions,
on the utopic hopes.
wheezing, mild despair
I search in the air that I lack
Stood and feel the world go round
everything dances around me
blurred vision with the black
veil of tears not shed
the silent cry in the throat
Don´t even have the strength to achieve
the top of my parched lips
finally I find the cure
supporting my imbalance in your shoulder
breathing the air from your mouth in a greedy kiss
dip my eyes into yours
my voice gives your name
vows of love and endless dreams
you were ... you are... and will always be
the stony cause and the eternal healing
for my fleeting lancinating vertigo ...

----
Vertigens

pálido feito nuvem,
dou meus passos cambaleantes.
breve caminhar ébrio,
procuro apoio nas convicções,
nas esperanças utópicas.
ofegante, leve desespero
em busca do ar que me falta
inerte sinto girar o mundo
e tudo baila a minha volta
a visão turva-se com o negro
véu de lágrimas não vertidas
o pranto mudo na garganta
sequer tem forças pra atingir
o cume dos meus lábios ressequidos
encontro finalmente a cura
apoio meu desequilíbrio em teu ombro
respiro o ar da tua boca num sôfrego beijo
mergulho meus olhos nos teus
minha voz profere teu nome
juras de amor e sonhos infinitos
tu que fostes... és e serás sempre
a causa pétrea como a cura eterna
de minha efêmera vertigem lancinante...

Resposta à Florbela Espanca




*Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!




resposta:

Não andas perdida, apenas não queres ser encontrada.
E sei que tens um norte, apenas não tens compasso
És a irmã do sonho mas a realidade te enfada
tuas feridas eu quis curar com um beijo e um abraço

Sombra da névoa, eu sou o nevoeiro
amargo, triste, forte, sou deste jeito
Nem pela morte ou destino me freio
Tu és dramática eu sou imperfeito

E por onde passas todos te notam
tua tristeza não tem razão de ser
Beleza e sinceridade a ti devotam

não és apenas o sonho de alguem,
mas de muitos que tu negastes ver
encontrada fostes mas não quis ninguem.

Let´s wait awhile




Let me dream a little while

Turned on its side and supported my face

In your bare and beautiful legs

A gentle moan or hoarse cry



Let me stay here in this place

Where the void is unbelievable myth

Put on your lips my gesture of love

Dancing tongues in the Tower of Babel



Let me sleep forever

In this infinite love trance

My ambition is to be innocent

In the perverse universe of pain

-------

Deixe-me sonhar mais um pouco

Virado de lado e apoiado o rosto

Nas tuas pernas desnudas e belas

Um gemido suave ou pranto rouco



Deixe-me ficar aqui neste lugar

Onde o vazio é mito inacreditável

Por em teus lábios meu gesto de amar

Línguas bailarinas na torre de Babel



Deixe-me dormir eternamente

Neste transe infinito de amor

Minha ambição é ser inocente

No universo perverso da dor

Sick of love - The King of Fools




It's funny to think how many times we said the phrase
"Better to suffer for love than never to have loved,"
knowing that when you are suffering, the first thing
we feel is regret

It's strange to look that everything before had life and color
and now became still life in black and white
sounds upset, smells are foul.
And nothing give us reason to continue.

It is tragicomic, the way we delude ourselves by love,
trying to sound altruistic, desiring the happiness of others
but still hoping for repentance and hope
everything will be reversed, that everything fix, finally safe ...

It's amazing how the words "I love you" ceases
to have meaning and no longer sounds beautiful
to become just a bad joke, a mockery
and the old cliche: "It´s me, not you"
crown the King of fools

It's damn the path I follow, as well
the choices I made, because I knew it better
I just never wanted to admit it.
We live with the choices we made.

It is the pain, hopelessness, disillusionment,
the thousand and one hardships that we took,
the fateful moments of absolute abandonment
that makes me say that I am sick of love.

And none of it I will seek never more
just waiting from fate, a good deed for my destination
putting an end to my physical existence,
because my soul is dead and I'm an empty shell.

And in the end, just the left remorses of those who rejected
as well as the pain of rejection, which seems a
collapsing all the little happy moments
who hoped before for hopes of a happy ending,
Today prays for total and absolute oblivion...

Forgive me for leaving me




Forgive me for leaving me ....
because I can´t be what you
needed me to be,
and I can´t give you anything
besides my love.

I was naive in thinking that only
love would be enough, but it is not.
I swear that all I ever wanted,
was to be what you need it the most.
to be the perfect person that you
deserves at your side.
to be in your eyes what you are in mine

It was great while it lasted
So good that tears my soul remember
kills me slowly this pain of loss
takes away my sleep, hunger,
and the desire to proceed.

The love and hope brought us here
and so suddenly we largely abandoned,
I lost my North, and seems to have nothing left
no fellings worth to be felt.

I will fulfill all the promises that I made
for you
wait until the end of times,
love you in this life and in other to come,
as I have loved at all lives that has passed

I will fulfill it, not out of obligation
but because I can´t do anything else
and I think my life has never had,
has or will have another purpose
other than love you.

I want you to forgive me endlessly.
I hope someday, in another way,
elsewhere, we meet again
and feel what we felt when we fell in love
for the first time

I want to be able to respect what
you decided, no hard feelings,
and maybe one day I can accept
anything you can offer me,
because today I feel not so.

I want to thank all that
you gave me for this
brief period of my life,
hoping my tears
do not leave very deep scars
so I never forget
how good it was love you.

R.I.P. L.O.V.E.




Love
Less Love
Love Less
Loveless
No Love at All

Hope
Less Hope
Hope Less
Hopeless
No Hope At All

Lone
Lonely
Loneliness
Alone forever

Pain
Pain Full
Full of Pain
Painfull

No
Nothing
No Thing
No One
No Love
No Hope
No Nothing

Black Widow


Preenche outra vez minha tristeza

Com palavras emprestadas e migalhas

Expressões sem sentido ou certeza

Inofensivas se não fossem navalhas



Preenche outra vez a lagrima seca

Com seus gestos repetitivos e fúteis

Até que o sentimento apodreça

E todos esforços se provem inúteis



Preenche outra vez minha dor

Com o desprezo vil e abandono

Declare outra vez o fim do amor

Entregue-me ao derradeiro sono



Preenche outra vez minha cova

Com vermes e a terra que me rejeita

Esqueça e siga então sua vida nova

Mas deixe a rosa morta que enfeita



Preenche outra vez outra vida

Carregue as lembranças erradas

Destrua outro alguém e decida

Seu rumo novo por velhas estradas

----------


Fill in again my sadness

With words borrowed and crumbs

Meaningless expressions or certainty

Harmless if they were not razors


Fill in again the dry tear

With yours repetitive and futile gestures

Until the feeling rots

And all efforts will prove useless



Fill in again my pain

With the vile contempt and abandonment

Declare again the end of love

Give me to the ultimate sleep



Fill in again my grave

With worms and dirt that rejects me

Forget and follow your new life

But leave the dead rose that adorns



Fill in again another life

Bearing the wrong memories

Destroy someone else and decide

Your new direction by old paths

Paradise lost



Não é teu perfume a dizer que chegastes.
Sem surpresas, arrepios ou óbvios sinais.
Chegastes simples assim e depois partes
E de tudo partes. Para sempre, nunca mais.

Achar rumo incerto, bem longe desta cruz.
Resta de mim apenas sinais do fogo intenso
Ancestral e incompleto, parte de algo imenso
Parte da verdade, parte das trevas e da luz

E de ti anseia algo eterno como tudo em vão.
E de ti sacias a fome de tudo, até de pão
E a ti seguem meus delírios insanos e sem fim.

Não é teu perfume a dizer que partistes.
Então não partistes - minha ilusão insiste.
Na busca por ti, encontrarei o que falta em mim.

---------


It is not your perfume to say you came.
No surprises, chills or obvious signs.
You came so simple and then went away
Just gone of everything. Forever, ever again.

Find uncertain direction, away from this cross.
It remains of me only signs of intense fire
Ancestral and incomplete, part of something bigger
Part truth, part of darkness and light

And you craves something eternal and all in vain.
And you satiates hunger for everything, even bread
And my insane delusions follow you without end.

It is not your perfume to say that you went away.
So you are not gone - my illusion insists.
In the search for you, I´ll find what's missing in me.