sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


Suicide note.

Da tua voz ficou o ultimo timbre

Ainda cortante e agressivo

Lamina na pele abrindo o sulco

Carne, músculos, tendões e ossos expostos

Escorre espesso e morno o liquido da vida

Pulsos lacerados, agua quente

Esfria aos poucos enquanto

A vida escoa pelo ralo em

Tons gradientes de vermelho.

Tal qual o amor esvaiu-se em redemoinho

Pouco a pouco sinto o corpo...

Dormente. Formigamento anestésico

Respiração fraca até que cesse

Em um ultimo suspiro.

Nos olhos opacos

Levo comigo

Tua imagem difusa em sorriso irônico

Antes que a escuridão faminta

Engula tudo com sua boca negra

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